sexta-feira, 10 de março de 2017

QUANDO EU FUI EMBORA

Quando eu fui não imaginava o tanto de coisas que ainda teria que sentir, o tanto que ainda tinha pra crescer, agora vejo que pensar assim - naquela época - era a maior evidência da minha imaturidade. Fui embora e deixei pra trás meu porto seguro, não sabia o quanto seria vazio chegar o final do dia e não ter em volta aqueles olhares que me acalmam e sempre dizem a coisa certa.
Fui embora sem saber que amaria em sete meses mais do que amei a vida inteira e ainda assim abriria mão disso pra poder viver um sonho antigo. Fui conhecer a saudade de verdade depois de partir, mas agora sei que a maior falta não surge quando partimos, mas sim quando ficamos.
Ir embora me elevou a uma consciência da qual me orgulho muito em ter, mas que junto com ela veio uma lista de obrigações das quais não me orgulho tanto. Quando se sabe o que fazer, a parte mais difícil é justamente o fazer, Deus sabe que eu escolhi esse saber, escolhi esse caminho e que escolhi ir embora pra poder voltar melhor, apenas pra isso, pra poder voltar. Melhor.
Quando se faz uma grande partida você encontra na estrada muitos outros começos e finais, encontra felicidade que abre seu sorriso de um jeito que nem sabia ser capaz e se despede de forma cada vez mais dura, mas sem aprender a amenizar a dor da decisão racional. Agora sei que nem sempre o coração sabe lidar com esse mundo de interesses, ele sempre tem esperança, mas há momentos em que não podemos mais esperar.