segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Não alcancei você

Você persistiu pra chamar minha atenção, eu relutei como faço com quase tudo e todos ao meu redor, sou feita de uma coragem covarde que escolhe minunciosamente onde vai se arriscar. Mas você foi tão imprevisível e aleatório, que não demorou muito pra minha tentativa de te ignorar fracassar. Demorou menos ainda pra eu me abrir, pra eu compartilhar minha trajetória e dividir meus planos - antes tão particulares. Você me alcançou e teve acesso a tudo aquilo que não mostro nas fotos e vídeos em redes sociais.
Talvez você tenha pensado nessa vida virtual que eu era menos complicada do que realmente sou, mal sabia você eu sou atrapalhada com as palavras, exceto quando falo comigo mesma aqui. E eu não fazia ideia de que você é ainda mais complexo que isso, que nem com você mesmo consegue se expressar, é cheio de confusões e sentimentos que acredita que não deveria sentir, você acredita em vinganças enquanto eu acredito na força do tempo. Tempo que eu não consigo deixar que exista entre nós porque eu quero você perto de mim a todo momento, e te imagino do meu lado vivendo aquela vida que a gente imaginou juntos em conversas que eu levei a sério, mas você aparentemente não.
Na verdade, não sei, esse papo de aparência não funciona muito com você, não sei te decifrar e você tem medo de eu te conhecer e não gostar do que você tem pra mostrar. No entanto, o que eu não gosto mesmo é de não saber, e quando se trata de você eu nunca sei, você nunca me dá respostas e seu olhar é sempre o mesmo, que diz: "não insista, por favor". Você me alcançou, mas eu não cheguei nem perto de conquistar o mesmo com você, de te conhecer, saber com o que você costuma sonhar e como se imagina daqui anos. Só vejo medos, que talvez eu nunca saiba quais são e o que os motiva. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Nosso não amor

Difícil mesmo é amar alguém que te pede pra escolher. Amor não é escolha, amor é deixar fluir e confiar, amor é não saber o dia de amanhã mas se sentir completo pelo hoje ao lado daquela pessoa. O amor sorri com a felicidade do outro e sente em si as razões e motivações que realizam uma outra pessoa. Eu pensei que éramos assim, mas ultimamente tenho vivido o luto de um não amor, e essa é a dor maior, lamentar algo que não existiu. 

domingo, 23 de julho de 2017

Nosso banco e sua ausência

Mudei o toque da sua mensagem pra eu não ter mais esperança de ser você toda vez que meu WhatsApp apita, também excluí nossas conversas pra eu encontrar um novo lugar pra ir que não sejam lembranças suas. Suas incógnitas e códigos estão além do meu fôlego, não posso ficar tanto tempo a mercê de um talvez. Agora sei como você se sentia, com minhas palavras em excesso que nunca disseram nada objetivo, ou então que nunca disseram o que você buscava ouvir. 
Tanta coisa importante que eu não te disse e não mostrei, temo ter que conviver com esse arrependimento por muito tempo ainda. Temo também continuar olhando para trás antes de entrar no prédio, na expectativa de te ver sentado naquele banco me esperando pra dizer que tem pensado muito em nós, que por isso precisa saber o que eu sinto e o que eu quero. Mas dessa vez, diferente das outras, eu diria a verdade ao invés de me esconder e te machucar por não conseguir dizer o quanto você significa.
Acontece que você não está mais lá quando eu procuro, você fugiu de mim e eu não te culpo, também fugiria desses meus defeitos se eu pudesse. Eu lamento ter te amado mas não ter conseguido viver esse amor como você idealizou, eu sinto muito por ter que se afastar de todos pra poder se afastar de mim. Lamento por não ter entendido logo o que você queria que eu entendesse. Agora eu entendo. Por isso, também estou indo. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Se precisar parar, pare.

Ei, calma. Seu cansaço e falta de esperança já foram sentidos por outras pessoas também. Eu sei que na busca de alguém que te entenda, só o que você encontra são frases motivacionais e incentivos para que você não desista. Você não quer desistir, só quer dar um tempo, você precisa dar um tempo. Há muito que você não sabe escolher entre o sim e o não, e só agora está vendo o resultados dessas não escolhas que você fez.
Estão dizendo que você precisa de mais força interior, menos orgulho, menos reflexão, enxergar menos, calar um pouco mais. O único silêncio que você precisa é o silêncio que vem de fora, ninguém te conhece melhor do que você, por isso, ao invés de tentar encontrar respostas em alguém, aceite a resposta que você já te deu em momentos que teve paz.
Não tem nada de errado aceitar a fraqueza, aceitar que não dá mais para sorrir quando não se tem vontade ou continuar segurando o choro quando se quer chorar; escondendo as feridas. Você se machucou, é natural e saudável que você passe um tempo sentindo essa dor, mas não se engane pensando que parar significa fugir. A fuga não contribui em nada, apenas aumenta o rancor e cria o hábito horrível de pensar que os problemas não tem solução, mas que fugindo você os supera.
Você não está superando, só está expandindo a dor para outros além de você e está afastando eles. Fica perto, tá. Se quiser parar, pare. Mas fica perto pra não transformar esse tempo em solidão, em mágoa sem fim. Não perdoe se ainda não estiver a fim, quem te ama saberá esperar o seu momento. Não se culpe, não culpe ninguém, só os erros têm culpados. E você não está errando, está agindo. Mas se precisar, pare.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Cansei. De você e da gente.

Estou melhor agora que me dei conta do quanto minha vida progrediu enquanto você esteve longe, não é que você me faça mal, mas eu me faço mal quando estou ao seu lado. Minha mãe é que tem razão quando diz que você só quer atenção, mas pra te dar atenção seria necessário tempo, coisa que eu não tenho, não pra você, não mais pra você. Preenchi todo meu espaço comigo mesma e com as coisas boas que se encaixaram, tudo aquilo que você tanto me critica por gostar, sem perceber a contradição que é você dizer que me ama sem que tenha passado um só dia sem você tentar me mudar. 
Você tentou por meses me transformar na pessoa que considera ideal pra viver ao seu lado, acontece que eu ainda não sou ideal nem pra mim mesma, imagina pra outra pessoa. E tudo certo quanto a isso, a diversão é justamente ter algo novo pra aprender, mas aprender o que é melhor pra mim e não pra você, se algo te faz feliz então você é quem deve buscar. Aliás, se sua felicidade depende do comportamento de uma outra pessoa então tem algo bem errado aí. Comece aceitando que você errou diversas vezes também, admita que muito do que somos (ou não somos) hoje é consequência de atitudes suas e por mais que você se esforce pra me culpar, sua criatividade argumentativa não muda nossa história.
Estou cansada de você. É isso, cansei. Fica bem e toda aquela despedida clichê de sempre. Sempre. Meu Deus, por que tantas despedidas se nunca estivemos realmente juntos? Nunca tivemos do que nos despedir, só agora eu compreendo. Sua partida foi na verdade um trajeto comum de alguém que não tinha nada a perder porque afinal não tinha mesmo. Eu nunca fui sua, eu nunca fui de ninguém, as pessoas não são simplesmente propriedades umas das outras. No momento, estou buscando ser de mim mesma, quando isso acontecer aí sim serei realizada, você deveria fazer o mesmo e parar de sofrer por eu não ser como você gostaria, você mesmo viu que eu nem me esforcei - e não me arrependo.
Eu te quis, cara. E enquanto eu te quis eu fui inteira com você, apesar de que o principal mesmo era não deixar de ser inteira pra mim, pois só eu conheço o chão onde pisei, eu sei meus motivos de estar aqui e de ser como eu sou, eu sei das expectativas que eu carrego e dos lugares onde quero chegar. Aceitar suas exigências seria abrir mão de tudo isso e consequentemente de mim. Aquilo que você chama de defensiva é, na verdade, eu me priorizando. Seria amor se você entendesse isso. No entanto, não entende e aparentemente, pra você, a culpa é minha. Eu sou culpada sim por várias coisas, a principal delas: ter sido, às vezes, o que você me pediu pra ser mesmo não sendo o que eu queria... Ainda bem que você foi embora, porque eu não tive coragem de ir.




sábado, 10 de junho de 2017

Ainda vou amar você

Eu sei que você veio aqui para saber como eu estou, como eu fiquei depois de você ter ido embora. Nos desvinculamos de todas as formas possíveis, menos esta, você ainda procura meus textos - pra ouvir de mim palavras que eu não digo cara a cara, palavras que você sonhou em me ver falando por tanto tempo e eu não disse -, e eu ainda escrevo na esperança de você entender. Você não pode atravessar meu muro defensivo, e acredite, eu quis muito que conseguisse ver nossa história do lado de cá, assim não haveriam mais dúvidas, mais segredos e nem desconfianças, você saberia que é real, desde o primeiro minuto foi real. Continua sendo.
Você nunca acreditou na força do tempo como eu, e todos os dias eu rezo, em momentos aleatórios, para que você aprenda que podemos sim ter tudo o que queremos, só depende de nós e do quanto acreditamos nisso, o único detalhe que não dominamos é o tempo, o tempo certo e o errado. Nossa ânsia em fazer funcionar atrapalhou demais a leveza do que a gente sentia pelo outro, e que essa distância te acalme e te mostre que eu não tinha como escolher, você fazia parte do plano e deveria estar dentro dele e não se opondo.
Tenho certeza que, assim como já tem sido, continuarei te vendo no meu trabalho e na minha rotina em relances de uma vida que poderia ter sido, mas não foi. Ficarei aqui lembrando de momentos que nunca chegaram a acontecer, torcendo pra que haja um outro espaço para nós. E sobre o que virá daqui pra frente eu não sei muito, acredito que vou permanecer no mesmo caminho, vou acreditar nas mesmas coisas, terei a mesma fé, e possivelmente, ainda vou amar você.   

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Deixe ir embora (ou não)

Deixa ele ir embora. Nada que temos é de fato nosso, nem as pessoas, nem nossos objetos e nem mesmo nossas palavras, nossas opiniões mudam tanto que não podemos tratá-las como propriedades. E nem ele. Deixe ele ir, ele precisa de um caminho que não te inclua, você o fez querer que as coisas fossem assim. Se ainda existe amor, se tornou menor do que a mágoa que você causou, não há mais espaço para vocês agora.
Vocês tiveram o momento ideal, muito rápido, muito intenso, muito confuso e muito errado. Talvez você até pudesse ter sido diferente, mas não foi e mudar o que aconteceu não cabe mais a você, a menos que ele te perdoasse, mas ele não quer, ele não vai. Na verdade, ele já está a caminho de uma nova vida longe de você e dos sonhos que sonharam juntos, e por mais que isso doa você sabe que não pode fazer mais nada.
Conheço seu coração, você nunca aprendeu como desistir de um amor, ainda mais de um grande assim. Mas ele sempre foi mais teimoso do que você e não está disposto a te dar ouvidos, ele já te ouviu demais e se arrepende de ter agido assim, se esquecendo dele e de quem ele era antes de você aparecer. Pare de se sentir injustiçada, não se trata de justiça mas sim de desgaste.
O amor de vocês não é mais o mesmo. Nem você. Nem ele. Respeita que ele não te quer por perto, aceita que ele escolheu sofrer agora para aprender a viver sem seu jeito preguiçoso de manhã - que sempre amoleceu o coração duro dele. Não precisa desistir dos planos de vocês, outras pessoas irão aparecer e poderá ser feliz com elas tanto quanto foi com ele. 
Ou você pode simplesmente ignorar toda essa racionalidade e obedecer seu coração que te diz que todo erro pode ser consertado, que todos os amores são verdadeiros, inclusive o de vocês que sempre foi tão atrapalhado, e que querer ir embora é um modo dele te dizer "eu te amo, não posso fazer mais nada, por favor, corrija isso. Você sabe como." E você realmente sabe, então se ainda o quer, faça. Vá. 


Inspirações: um amor que não deu certo (ainda) e a música The Scientist - Coldplay

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Por que insistir?


Porque você insiste? Não vê que isso faz com que eu também insista!? Eu te disse pra ir embora, depois disse que poderia ficar, que tudo bem... Mas é como você disse: não está nada bem. Eu gosto de te querer por perto, gosto de achar que não me desvalorizo quando me permito falar com você como dois amigos. Quem estou enganando? Eu é que não sou. Na real, não engano ninguém, você também não acredita, eu sei.
Obviamente demorei pra notar que elevamos essa relação a patamares diferentes, como sempre, sou muito boa nisso e melhor ainda em vir aqui escrever quando a verdade é patética demais pra ser dita olho a olho. Mas é que minha barriga ainda gela quando vejo seu nome na tela do meu celular e meu olhar ainda te encontra nos caras que usam um boné igual o seu.
Eu previ que seria desse jeito, mas não podia me privar disso porque sou dominada por esse instinto idiota (às vezes) de fazer o que eu quero pensando só no hoje. Acontece que o hoje se tornou ontem, se tornou semanas atrás e ainda não aprendi a lidar com isso sem te ver em outros caras. Porque você foi embora, mas eu ainda te ouço e ainda não compreendo como você faz pra que tantas mentiras pareçam verdades.
Tudo que eu te mostrei foram verdades, acreditei na reciprocidade. Não me ache ingênua por confiar em alguém tão inconstante, eu confiei foi na minha intuição que me dizia que sua franqueza era algo raro e que merecia uma porta aberta. Me diz agora como eu fecho essa porta, como eu me fecho definitivamente pra você? Porque você não vem, mas se viesse eu te aceitaria e isso é ridículo de muitas formas, mas mesmo assim aceitaria.
  

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Meu motivo

Não quero voltar para casa, não quero lidar mais uma vez com a angústia de me despedir, viver aquele sentimento inexplicável de que eu não devo sair de lá, de que o mundo do outro lado da divisa daquela cidade não me faz bem. Não quero voltar para casa e sentir que eu nunca deveria ter saído da minha zona de conforto, esconder meu olhar reflexivo dos meus pais pra que eles não sofram comigo, mas a verdade é que eles me decifram sem precisar que eu os encare.
Não querer dizer oi pra não ter que dizer tchau é talvez a sensação mais estranha que já habitou em mim. Meus amigos de longa data já notaram que meu amor por isso aqui é tão enorme que tem sido maior do que meu amor por mim mesma, e eles não consideram isso saudável, eu também não. Mas escolhi estar aqui sabendo que não seria a fase mais simples da minha vida, confesso que me surpreendi, as pessoas me surpreenderam negativamente, é claro, afinal eu vim esperando o melhor.
Meu semblante demonstra tão pouco assim, será? Eu amo tanto tudo o que eu faço, no entanto tenho sido pouco fiel a mim mesma e isso me preocupa. Preocupa porque eu me deixei ser machucada demais, preocupa porque me importei pouco comigo e porque ninguém fez esse trabalho por mim. Ainda não me acostumei com esses jogos, com esses interesses desinteressados e com esse número absurdo de espaços preenchidos por vazio no mundo.
Mas mesmo em meio a tanta bagunça, gosto quando reconheço em mim aquela velha e boa persistência, que foi sempre meu maior defeito e qualidade, é o que me trouxe aqui e é o que me impede de ir embora. Defeito para meus amigos que me querem longe disso tudo, qualidade pra mim que teria dado ouvido a eles se eu não fosse tão guiada pelo que não faz sentido por quem vê de fora.
Só não volto para casa agora porque decidi ir até o fim, não se enganem, eu amo o que faço, já disse. E nenhum mau vai me desviar do meu motivo. Meu motivo é gigantesco, tanto que não consegui explicar até hoje, eu apenas sinto. Meu motivo é o que me refaz todas as noites quando penso no dia difícil, quando relembro todos os passos que antecederam a essa fase. Meu motivo é meu melhor amigo e companheiro nas madrugadas, toda vez que vou pra casa, na despedida é ele que me traz de volta pra cá.





terça-feira, 4 de abril de 2017

Sem mais desculpas

Preciso aprender a ouvir minha mãe quando ela diz pra eu não abrir a minha vida pra alguém que eu não conheço, mesmo que eu me sinta bem ao lado dessa pessoa, se eu não conheço então não deveria dar livre acesso. Se eu te conhecesse saberia que você distribui desculpas como se fossem "bom dia" para estranhos simpáticos na rua, e se eu soubesse disso, não teria aceitado todas as vezes que você disse que sentia muito, porque você não sente.
Preciso aprender também que demonstrar sentimentos bons pra quem não compreende a minha dificuldade em expressar verdades olho no olho, é perda de tempo e perda de mim mesma. Eu quase me perdi nas suas palavras, quase permaneci acreditando nelas, quase mostrei mais de mim mesma pra você, quase te contei que eu não sou só sorrisos, que na verdade você sempre teve o privilégio dos meus sorrisos, porque há muito eu não simpatizo com o mundo.
Aliás, de quantos mundos estamos falando? Porque pra mim é claro agora que somos de planetas distantes. Eu, na maioria das vezes, não sei o que falar, diferente de você que tem a resposta de tudo, quase sempre colocando o outro na posição do erro. Confesso sim que eu errei, ter você por perto foi uma sucessão de grandes erros, começando com o dia que não te apaguei da minha mente logo após te conhecer.
Mas você também errou, nós não somos amigos, e mesmo que fôssemos você não perceberia porque sua visão está focada em você, apenas você. Sem essa de que eu não sei me comunicar, você é que não sabe ouvir. Mas obrigada por me lembrar que confiança não deve ser depositada fácil assim, e fraquezas não devem ser compartilhadas como eu fiz com você.  

sexta-feira, 10 de março de 2017

QUANDO EU FUI EMBORA

Quando eu fui não imaginava o tanto de coisas que ainda teria que sentir, o tanto que ainda tinha pra crescer, agora vejo que pensar assim - naquela época - era a maior evidência da minha imaturidade. Fui embora e deixei pra trás meu porto seguro, não sabia o quanto seria vazio chegar o final do dia e não ter em volta aqueles olhares que me acalmam e sempre dizem a coisa certa.
Fui embora sem saber que amaria em sete meses mais do que amei a vida inteira e ainda assim abriria mão disso pra poder viver um sonho antigo. Fui conhecer a saudade de verdade depois de partir, mas agora sei que a maior falta não surge quando partimos, mas sim quando ficamos.
Ir embora me elevou a uma consciência da qual me orgulho muito em ter, mas que junto com ela veio uma lista de obrigações das quais não me orgulho tanto. Quando se sabe o que fazer, a parte mais difícil é justamente o fazer, Deus sabe que eu escolhi esse saber, escolhi esse caminho e que escolhi ir embora pra poder voltar melhor, apenas pra isso, pra poder voltar. Melhor.
Quando se faz uma grande partida você encontra na estrada muitos outros começos e finais, encontra felicidade que abre seu sorriso de um jeito que nem sabia ser capaz e se despede de forma cada vez mais dura, mas sem aprender a amenizar a dor da decisão racional. Agora sei que nem sempre o coração sabe lidar com esse mundo de interesses, ele sempre tem esperança, mas há momentos em que não podemos mais esperar.
  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Um pouco de você, muito de mim.

Eu não estou apaixonada por você, mesmo que eu me lembre em detalhes daquela noite em que te conheci - que eu finjo não lembrar tão bem assim. Eu preciso me defender de você, preciso não demonstrar o tanto que mexeu com meu pensamento naquele dia, dia aliás que eu torci por muito tempo pra que se repetisse, e que hoje, ao notar que está acontecendo de novo já não sei bem se foi o melhor pedido.
Não é que eu não veja em você uma pessoa que valha a pena, mas eu estraguei tanta coisa boa nos últimos meses que temo que você seja a próxima página virada desse capítulo interminável. Quero que você seja tão bom pra mim quanto deixa escapar que é, e se eu perceber que tem a intenção de ficar, nem que seja um pouco, começo um capítulo novo só pra gente, e mesmo que tenha apenas oito linhas como os do Machado de Assis, serão oito linhas de palavras revoltadas como as minhas e profundas como as suas, mas capazes de descrever o lado mais verdadeiro e mais humano de nós.
Meu discurso corajoso deveria ser dito a mim mesma, sou eu quem mais tem medo aqui. Não sei confiar, nunca soube, minhas desilusões nunca se basearam em excesso de confiança desperdiçado, mas sim por falta de entrega transparente, não sei entregar a minha verdade, talvez porque nunca tenha sabido identificá-la de fato. Te olho e anseio um dia ter a sua franqueza, sua clareza em descrever sentimentos bons e ruins, por isso torço pra que você fique nem que seja um pouco, nem que só por oito linhas.
Eu não estou apaixonada por você, estou apaixonada pelo meu eu que reencontro toda vez que te leio, por saber de novo quem sou eu e por finalmente conseguir admitir o quanto estive errada. Na verdade, acabo de perceber que já comecei um novo capítulo e mesmo que você não permaneça nele, sem saber, me encorajou a escrevê-lo, prova maior disso é que esse texto é o primeiro que consigo concluir em semanas. Você ressurgiu pra mexer com meu pensamento como na noite em que te conheci, dessa vez não se desculpe e nem agradeça, apenas fique e seja minha última conversa do dia mais um pouco

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Ser normal é chato

Como não respirar esse tema? Como não problematizar as consequências da aceitação? Me diz como eu poderia não ser vinte e quatro horas por dia esse assunto, sendo que estou sete dias por semana sentada aqui? E eu seria dramática estando ou não nesse lugar, eu me lembro de já ter esse lado teatral aos quatro anos de idade.
Todo o dia eu faço uma descoberta a respeito de como uma cadeira é vista, do lado de fora e do lado de dentro. Atípico pra mim é quando não me olham, e ainda estranham por eu falar tanto sobre isso? Eu não acredito em acaso - o nome desse blog também não foi um -, tudo que me foi dado pra enfrentar tem seu propósito, e vejo isso sempre como um crescimento.
Continuarei falando sobre isso pra poder continuar crescendo com isso, mas não confundam, eu não estou bitolada achando que meu mundo é só a cadeira de rodas, perco as contas de quantas vezes no dia ao olhar pra baixo, me assusto ao lembrar que estou sentada e não andando em pé como os demais, porque a cadeira não é o que me compõe, não é o que me faz, é o que me ensina.
A cadeira é minha professora e eu sou a aluna que, às vezes, ao invés de aprender a lição, estou distraída ao celular, mas que quando começa a tirar notas baixas, se atenta mais e retoma ao papel de aprendiz. É isso que eu sou, uma aprendiz, por isso não cobre de mim uma maturidade que eu não preciso ter, que talvez eu nunca precise. Aprender a ser diferente numa sociedade que prega a beleza da diferença, enquanto tudo o que você queria é ser igual, não é fácil.
Se eu chegar num ponto em que eu saiba como responder a todos os curiosos, e passe por toda situação constrangedora sem me constranger e pare de me incomodar com os obstáculos nas ruas, então, quando isso acontecer, todo o sentido se perderá e estar sentada aqui já não trará mais atribuições! Se esse é o meu lugar, que seja pra fazer de mim uma pessoa nova todos os dias, por isso se você não gostar de mim hoje, me conheça de novo amanhã.

P.s.: recebo mensagens de pessoas que passam por situações parecidas e depois de verem os textos, se olham de forma mais confiante. Saber que alguém que precisa dessas palavras está em algum canto do Brasil me lendo e sendo ajudado(a), é o que me faz continuar escrevendo aqui pra todos e não num caderno escondido no quarto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Não agrade. Ame (se puder).

Não tente agradar, por que faria isso? Quer se sentir melhor diante de Deus? Ele disse pra amar ao próximo e não pra agradar. Penso que porque o amor não cobra nada em troca, não lista os feitos, não exige mudanças, não inveja e não vitimiza. Eu não sou de fato o tipo que agrada mas isso não significa que eu deseje coisas ruins. Não busco reconhecimento, eu tenho sonhos e passei muitos anos acreditando que não os alcançaria, mas agora acredito porque finalmente eu sei amar, ao próximo e a mim - passei tempo demais tendo medo das minhas verdades.
Eu me amo muito, mas nem sempre foi assim e não tenho intenção de ficar contando minha história para que todos me vejam através do que eu vivi e não do que eu mostro viver. Se tiver algum problema em relação ao meu comportamento, saiba que muitos antes de você também tiveram, eu estou suficientemente acostumada com atitudes assim, o bastante para saber que eu só aprendo com isso e não me envergonho quando falho ou quando preciso recomeçar, mas que nunca fiz isso por causa de alguém a não ser por causa de mim mesma. 
Sou egoísta por ser como eu sou? Talvez. Mas me julgar sem conhecer minha estrada não faz de você um ser melhor do que eu, te faz apenas um ser humano, como todos ao seu redor, os que você considera dignos e os que não considera. Hipocrisia sem tamanho achar que todos precisam ser amados mas separar em grupos quem merece e quem não vale a pena. Eu valho muito a pena pra mim mesma, o suficiente pra cada vez menos me machucar com quem diz algo pra mim que não corresponde com a verdade dele mesmo.
Diferente da maioria dos meus desabafos, vou terminar esse dizendo que não tenho certeza sobre o que de fato aconteceu com você, comigo, com a gente. E que a atenção é perigosa pra alma, palavras de alguém que nunca passou despercebido e ainda não aprendeu a lidar com isso. Sem falsidade, não desejo nada de ruim pra você, mas desejo que você aprenda como eu aprendo e me esqueça pra poder seguir em frente um caminho que é só seu, sem competição e sem vencedor. Ganha mesmo quem for feliz na sua essência sem precisar ficar provando pro mundo, porque assim como não acho necessário exibir que me importo, também não preciso que vejam minha felicidade, apenas sinto.