terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sou amiga do meu ex

Sou amiga do meu ex, e sabe qual é o problema disso? Nenhum. Só porque não funcionamos como um casal não quer dizer que não possamos funcionar de outro jeito. Não existe sentimento ruim guardado pelo outro, não existe nem sequer uma explicação clichê, apenas acordamos amigos um dia e soubemos que aquilo era bom.
Eu dividi todos meus planos com ele, minha rotina, o inclui nos meus sonhos e onde ia sempre tinha que ter lugar pra dois porque ele iria comigo. A gente conversou sobre tudo que era possível e cabia no nosso tempo, a gente soube ouvir e entender o outro mesmo quando ser imparcial era quase impossível. Eu defendia ele mais do que a mim própria, pois sabia que ele cuidaria disso por mim.
E se não há nada de ruim que tenha nos desviado desse relacionamento amoroso, por que é que eu deveria não vê-lo, desejar a infelicidade dele, apagar nossas fotos de momentos felizes? Por que é que não posso ser amiga dele? Por que não é o que o mundo faz? Pro mundo quando um casal termina, eles se excluem das redes sociais, apagam os registros da história deles e falam mal do que viveram. É isso que é certo?
Bom, mas se eu não o odeio e ele não me odeia, se o papo ainda é sensacional, se ele já me conhece tanto a ponto de me dar conselhos como ninguém, se eu não encontro motivos nenhum para mante-lo longe, ainda assim devo me afastar porque ele é um ex? Não. Justamente por ele ter sido meu namorado é que ele se tornou meu melhor amigo hoje.
Eu existo dessa forma, tendo perto quem me faz bem e não quem faz sentido. Ele sabe disso. Meus pais sabem disso também. Confesso que quase ninguém concorda, mas jamais tiraria do meu lado alguém que amo por puro capricho da sociedade que gosta de criar regras que interferem no particular das pessoas. Sem essa, ok? O amor é o único motivo pelo qual vale a pena ficar perto de alguém, e eu o amo.    

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Cadeira.

Cadeiras não me incomodam. Cadeiras que esbarram, que eu esbarro, que estão na minha frente e quando são retiradas pra eu passar. Cadeiras não me ofendem e nem me diminuem, eu sei o meu tamanho, e o tamanho da minha cadeira. Sei o espaço que eu uso e sei que não me importo nem um pouco em precisar de mais chão do que os outros. Chão não me machuca. Quanto mais chão melhor.
Quando eu apareço, apesar dos olhos revirados que recebo, quem dá passagem é sempre o outro. Isso não me dá prazer, mas também não me dá tristeza. Triste é não ter caminho próprio e precisar tentar impedir o caminho do outro. E quando esse outro for eu, só haverá a tentativa mesmo, pois costumo chegar onde eu quero porque meu foco está em mim mesma.
Eu sempre estou sentada, mas entenda que apenas meu corpo está acomodado, minha mente está em constante evolução, inclusive graças a essa evolução é que eu fico por aí sem olhar para os lados, sem reparar no incomodo de quem não gosta de me ver passando. Vou passar muito por aí ainda, ok. Se quiser ficar no caminho de propósito, esteja preparado pra se levantar quando eu chegar. 
Legal mesmo é sentir as reações de quem não aceita de jeito nenhum o fato de eu decidir todos os dias ser eu mesma, mesmo que me vejam apenas como uma cadeira. Gosto disso agora, a cadeira não é quem eu sou, mas hoje vejo que a cadeira me deu o mundo que eu não alcançava antes sem ela. Eu gosto de cadeira, por isso entendam que colocar uma cadeira na minha frente não me machuca, me motiva.