segunda-feira, 30 de maio de 2016

Não precisa disso. Nunca precisou

Não preciso do medo. Não preciso ter receio de não ser vista como eu sou, de tanto forçar vou acabar me esquecendo de mim, de quem de fato eu sempre fui, de onde eu vim e pra onde quero ir. O passo em falso me fez tropeçar, e quando olhei pro mundo de baixo pra cima, vi o quanto só eu era responsável por estar ali. Passei os últimos meses escrevendo sobre como eu me defenderia dos ataques que vinham de fora, sem perceber que os tiros certeiros vinham todos de dentro. 
Eu espero ter acordado definitivamente dessa vez, espero poder mostrar pras pessoas que sou alguém que sabe como perdoar, que sabe esquecer, que pode ser leve e pode parar de se condenar e se cobrar tanto. Quero terminar de me descobrir, enquanto permito que me olhem sem cessar, e enquanto me esforço muito pra não me incomodar com isso. Verei a atenção como algo benéfico que pode e deve ser usado para o bem.
E os surtos... Ah para esses eu desejo o meu adeus eterno. Por algum tempo eles tomaram conta de mim, a ponto de eu nem saber mais o que era calmaria, e não notar a falta que eu sentia dela. Sempre admirei honestidade nas palavras, talvez por isso esteja escrevendo tudo isso aqui, porque não sou boa em me mostrar pessoalmente, em ser inteira, em ser eu. 
Nunca pude conhecer tanto de mim por conhecer melhor as pessoas. Eu agradeço a essas experiências malucas que vivi nesses poucos anos que passaram desde que eu tive que abaixar o queixo pra levantar o olhar. 
Agradeço a Deus que não fez de mim uma pessoa fácil, e tornou o caminho tão difícil quanto, mas principalmente agradeço a vida por me mostrar quem eu tenho o direito de ser. E pelos tapas que levei até aprender que não é preciso responder a tudo, que não sou eu sempre que devo dar a última palavra, e que muito dificilmente a razão pertence sempre a mesma pessoa.




  

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sou eu que sei

Escrevo desde sempre porque sei que ninguém além de mim mesma sabe e entende o que sinto. Quem está próximo pode até tentar, pode até acreditar que entende, mas não entende e não sabe. Posso ver isso nos olhares quando eu desabafo. Vocês não sabem. Posso ouvir nos exemplos que dão. Vocês não entendem. Não penso que isso faça delas pessoas ruins, apenas não podem entrar na minha mente e saber o que de fato passa aqui.
Digo mente porque o coração ultimamente tem se calado, ele já não sabe mais por quem ser socorrido, ele só se calou e tem esperado um milagre. Não esses milagres sensacionalistas que muitos pensam que preciso. Eu desejo algo muito além e menos óbvio, muito maior do que andar, desejo não precisar andar, mas preciso e não ando.
Imagino poder viver num mundo onde eu não precise me adaptar 24 horas a rotina e manias de outros, já que preciso deles. Tenho minhas próprias manias, eu não sou ninguém mais além de mim, mas não posso ser, eu sou os outros, sou a vontade deles e as escolhas, sou a fome deles e o sono, sou eles. Não sou eu.
Não guardo mais esses sentimentos por tanto tempo, porque posso escrever, um jeito de conversar comigo mesma, de falar e me ouvir. Publicar vem em seguida, não tenho mais medo das conclusões que virão pois sei que não entendem. E não que fizesse alguma diferença. Sou eu que preciso lidar com isso. Eu que preciso sair dessa. Não seria a primeira vez, minha vida não tem como característica ser fácil, mas sempre foi surpreendente.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Meu erro, seu erro

Algumas pessoas não estão preparadas pra lidar com a dor, não estão calejadas o suficiente pra sofrer e identificarem o motivo real disso. Culpam alguém sem deixar que o mesmo argumente e se defenda. Por que? Porque é mais fácil quando o motivo não está dentro da gente, e sim no outro.
Decisão tomada em meio a amargura e paranóia não leva ninguém pra um lugar melhor, não caminha ninguém pra paz. A paz só existe quando existe franqueza, quando existe confiança. E nem sempre que a confiança não existe tem a ver com o outro, às vezes, nós é que somos inseguros e depositamos no outro o peso do nosso passado, mesmo que o outro não tenha feito parte dele.
Só não esqueça que esse outro que você julga tanto, também sofre com suas atitudes inexplicáveis, com seu olhar de raiva gratuita e seu tom de apontar o erro como algo certo e imperdoável ao mesmo tempo. Algumas traições não são dignas de perdão, mas nem todas elas aconteceram de fato.
Repense sobre quem não tem tido paz antes de dormir, quem não está bem com a vida, quem tem buscado mais e mais motivos pra não ser feliz, quem tem inventado desculpas e classifica quem são os culpados. De quem será o erro? Será que há um erro? Será que o problema é comigo ou será que é com você?


terça-feira, 10 de maio de 2016

Você é minha tentativa

Toda tentativa é também amor, é fé. Toda tentativa é certeza de que dessa vez será diferente, toda tentativa é saber que terá um retorno. Toda tentativa é desistir de tentar desistir, é esperança. É querer tanto, a ponto de não enxergar o preto no branco. Toda tentativa é lembrança e expectativa pro futuro. Já o silêncio não, quando ele chega não há mais tentativa e consequentemente tudo o que ela significa. Estou silenciando. Não deixa. Não permita que eu vá mais embora do que já tenho ido. Já pensou se eu não volto? Porque eu nunca pensei, mas tento.



Flávia V. Lima

domingo, 8 de maio de 2016

Cada 'não' que sorriu pra mim

Nunca evitei o 'não'. Nunca. Já fiz cada burrada que as vezes penso que era de propósito pra doer mais e eu crescer junto com isso. Mas tem também as negações que eu não busquei, que apenas vieram por isso e por aquilo. Por eu ser ou não ser algo, por eu ter ou não ter alguma coisa. Lembro de todo 'não' que eu mereci e também os que, ao meu ver, foram injustos.
Quando se é adulto e a vida já te calejou, cada porta fechada abre uma janela de reflexão na nossa mente. Mas quando se é criança, quando se é adolescente, a gente não faz ideia de que toda aquela fase complicada é cimento e tijolo nas paredes que criamos pra nos proteger no futuro. E não estou falando de se fechar e traumatizar. Falo de olhar nos olhos do seu problema e não ter medo e nem fugir dele.
E problema pode ser a sua família que te subestima, ou você mesmo que não acredita ser capaz e inventa dificuldades todos os dias pra não chegar até aquilo que deseja. Talvez você ainda não saiba o que quer, tranquilo. Mas se sabe, se você tem certeza e ainda assim evita, você já se apropriou do pensamento dos outros sobre você. E aí, sinto muito, você está condenado a permanecer onde está a menos que decida se conhecer de fato.
Não sou modelo a ser seguido, mas carrego o olhar de quem pensa assim. Pra que toda manhã quando eu acordar com preguiça da minha lentidão, eu olhe pro espelho e queira ser como aquele olhar que é taxado de arrogante, mas que no fundo é só sobrevivência.